quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Nutrição na pré-temporada



Otimização da capacidade dos sistemas de cada atleta só é possível com o trabalho conjunto de várias disciplinas que têm o mesmo objetivo final
Fernanda Mendonça - Nutrifit
Com o atual calendário brasileiro de futebol, uma equipe pode disputar até 80 jogos durante o ano, com um período competitivo longo. O grande desafio dos clubes está no desenvolvimento e manutenção do estado ótimo de rendimento do grupo de atletas durante todo o ano.

A pré-temporada é a época de formação da base que dará sustentação física durante o ano. Esta fase é a que requer maior empenho e dedicação de todos os profissionais envolvidos com o futebol: atletas, comissão técnica e equipe de apoio.

Um dos objetivos da pré-temporada é o de otimizar o máximo possível a capacidade dos sistemas que serão utilizados durante toda a temporada. Isso só é possível com o trabalho conjunto de várias disciplinas que têm o mesmo objetivo final.

A nutrição na pré-temporada é de fundamental importância, e tem como um dos objetivos suprir as necessidades energéticas dos atletas, de forma equilibrada, durante o período dos treinos. Também é o melhor momento para fazer a avaliação nutricional dos atletas e conhecer os hábitos alimentares do grupo.

A nutricionista Tânia Delezu sugere que você divida este trabalho em três fases, para melhor alcançar esses objetivos.

Programa de nutrição na pré-temporada

Fase 1

A equipe interdisciplinar se reúne por várias semanas que antecedem a data de início da pré-temporada e nestas semanas são definidos e traçados os reais objetivos e as metodologias a serem aplicadas neste período.

Fase 2

Referente à nutrição, a primeira medida a ser tomada é realizar uma avaliação nutricional individual de cada atleta, para identificarmos quais os principais pontos a serem trabalhados no período, tendo como objetivo determinar o hábito alimentar dos atletas.

Nesta avaliação, vamos saber o que cada atleta gosta de comer, que tipo de alimento ingere com frequência, se tem alergias, intolerância, problemas gastrintestinais, histórico familiar, onde faz as refeições, o cálculo das calorias ingeridas, a distribuição dos micronutrientes e macronutrientes, se estava usando algum tipo de suplemento alimentar, etc.

Esta fase é interessante para o nutricionista explicar o motivo desta avaliação inicial para o atleta e os objetivos da nutrição na pré-temporada e no restante do ano. Os atletas podem aproveitar este momento para esclarecerem dúvidas referentes à nutrição e conhecer melhor o nutricionista.

Fase 3

Na pré-temporada, geralmente podemos controlar 100% das refeições dos jogadores, pois todas as refeições são realizadas num único local, com um cardápio balanceado já previamente estipulado pelo nutricionista. O local onde será realizada a pré-temporada se encarregará da execução do cardápio desde o desjejum, até o último lanche, à noite.

Se a pré-temporada for realizada em um hotel, o ideal é que o nutricionista chegue, pelo menos, um dia antes, para poder explicar como este cardápio deve ser executado e também para orientar aos funcionários que trabalham na cozinha os objetivos do trabalho, porque alguns atletas costumam solicitar alimentos que não constam no cardápio.

Este controle de praticamente 100% da qualidade e quantidade alimentar possibilita uma situação favorável ao desenvolvimento de diversas pesquisas na área de nutrição.

Algumas informações colhidas durante a pré-temporada serão utilizadas durante o ano inteiro, pois as características dos atletas não se alteram durante o ano, se o atleta gosta de determinado tipo de alimento, ele não deixará de gostar no mês de agosto, por exemplo. Porém, se sua alimentação é falha em verduras e frutas, cabe ao profissional da área de nutrição orientá-lo ao consumo, explicando a sua importância e sempre procurando mostrar as diferentes maneiras de preparações dos alimentos, para que isto facilite a ingestão destes.

No período de concentração, além da montagem dos cardápios, deverá ser ensinado aos atletas como estes deverão utilizar a folha de cardápio individual que, a partir do cardápio geral feito dia a dia, indica o que e quanto este deve ingerir de cada alimento, até o trabalho que se desenvolverá com as esposas e famílias durante o ano todo. Para aqueles atletas que chegam de fora e são solteiros, o ideal é que estes recebam uma “listinha” com algumas sugestões de bons restaurantes, variados e equilibrados, próximos ao clube ou do seu bairro. Também se pode sugerir aos atletas que façam suas refeições diárias no clube, se este tiver uma boa estrutura.

O cardápio previamente elaborado é baseado nas informações fornecidas na avaliação nutricional e nos dados médicos (incidências de infecções respiratórios dos últimos anos, distúrbios gastrintestinais etc.) e, principalmente, baseado nos dados fornecidos pelo preparador físico, quanto à duração, intensidade e carga de treinamento.

As refeições devem considerar cada detalhe, suprindo as necessidades energéticas dos atletas, tendo um cardápio comum para todos, enquanto as orientações quantitativas necessárias por refeição são individuais e devem ser acompanhadas diariamente, até que o atleta complete a reeducação nutricional sendo capaz de realizar uma alimentação equilibrada.

As recomendações para alimentação de um atleta devem ser seguidas desde a pré-temporada, até a última etapa da competição. Tudo que será manipulado deve ser cuidadosamente avaliado, ou seja, a cautela é para a alimentação que deve ser balanceada ou o mais próximo de balanceada e a suplementação utilizada que deve ser cautelosa.

Durante a pré-temporada, o nutricionista pode aproveitar para explicar aos atletas sobre a importância da recuperação pós-treino, individualmente e/ou para o grupo através de encontros e palestras.

A maioria das sessões de treinos diários antes do início da temporada não são tão intensas a ponto de depletar todos os estoques de carboidratos dos atletas. Entretanto, os atletas precisam conseguir lidar com dias sucessivos de treino a fim de melhorar sua condição física, além de desenvolver novas habilidades e permanecer saudável. Portanto, adotar uma estratégia de recuperação que se concentra na reposição de carboidratos e líquidos deve ser parte de um programa bem planejado durante a pré-temporada e o restante do ano.

Durante esse período de treino, os atletas poderão ter a chance de ingerir uma ampla gama de alimentos que oferecem as quantidades necessárias de carboidratos, e o nutricionista, a oportunidade de saber quais ou qual alimentos o grupo melhor se adaptou. Os atletas devem começar a repor seus estoques de carboidratos imediatamente após os treinos.

Finalmente, se os atletas começam uma sessão de treino mais leves que no dia anterior e não restringiram sua ingestão alimentar, podem estar desidratados. Portanto, o monitoramento do peso corporal antes e depois dos treinos nos fornece informações sobre o balanço energético e funciona como um guia grosseiro sobre o estado de hidratação do atleta.

Dessa forma, na pré-temporada, fazemos uma adaptação dos atletas aos suplementos que serão usados durante o ano todo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Os métodos de treinamento


Os métodos de treinamento são as diferentes formas de como os exercícios podem ser realizados. Basicamente o exercício pode ser realizado de forma contínua ou intervalada.

Método Contínuo (ou Método da Duração): possui a característica de desenvolvimento de resistência aeróbia, pois utiliza grandes volumes de treino, baixa intensidade e ausência de intervalos. De acordo com o comportamento da Freqüência Cardíaca, o método contínuo pode ser dividido em:


- Método Contínuo Constante – esta forma procura manter a Intensidade durante toda a realização do Exercício. Por exemplo, caminhar 30 minutos mantendo a intensidade a 140 bpm do início ao final da atividade.
-Método Contínuo Crescente – apresenta aumento progressivo na Intensidade. Iniciando-se uma corrida de 40 minutos com 120 bpm, aumentando-se 10 bpm a cada 5 minutos.
-Método Contínuo Crescente / Decrescente – apresenta regressão de Intensidade. Inicia-se o exercício em uma bicicleta ergométrica com 180 bpm, diminuindo 10 bpm a cada 10 minutos, até atingir 130 bpm, totalizando 50 minutos de atividade.Nesta forma de execução, a Intensidade, durante a corrida na esteira aumenta desde o início gradativamente e, em 30 minutos passa de 150 para 180 bpm. Na seqüência, diminui de 180 bpm para 150 bpm, até completar mais 15 minutos.
-Método Contínuo Decrescente / Crescente – nessa forma de execução, a Intensidade diramte a natação é diminuída gradativamente desde o início, passando, em 20 minutos, de 160 para 120 bpm. Na seqüência, aumenta também de forma gradativa de 120 a 160 bpm até completar mais 20 minutos.
-Método Contínuo Variativo I – nesse método, a carga varia constantemente, podendo-se, na bicicleta ergométrica, alterar o peso ou a velocidade e, na corrida em esteira, a velocidade ou a inclinação a cada 1 e 2 minutos.
-Método Contínuo Variativo II – nesse método a carga também varia constantemente. Exemplos dessa variação de intensidade (freqüência cardíaca) são a participação em aulas de ginástica com movimentos acíclicos (aeróbica e step) e em esportes como o futebol, basquetebol, tênis, judô, etc.




Método Intervalado (ou Método Fracionado): compreende períodos destinados ao estímulo (exercício) e períodos destinados a recuperação. Dependendo da orientação de cada de treino (distância, velocidade e tempos de recuperação), os sistemas de produção de energia e as capacidades físicas trabalhadas serão diferenciados. O método intervalado pode ser dividido conforme a característica das cargas em:


-Método Intervalado Constante – esta forma de exercício procura manter a intensidade, a distância e a pausa durante toda a realização do exercício. Por exemplo, correr 5 x 200 metros, a 70% da velocidade máxima, com pausa de 1 minuto no treinamento cardiorrespiratório e 5 x 20 repetições, com pausa de 40” no neuromuscular.
-Método Intervalado Crescente – esta forma procura aumentar o volume ou a intensidade durante a realização do exercício.
Exemplo Metabólico: correr 1 x 100, 1 x 150, 1 x 200, 1 x 250 e 1 x 300 metros, a 70% da velocidade máxima, com pausa de 1, 5 minutos.
Exemplo Neuromuscular: alteração na intensidade no treinamento de força: 1 x 12 – 70% 1RM, 1 x 10 – 80% 1RM e 1 x 8 – 85% 1RM, com pausa de 1’.
-Método Intervalado Decrescente – esta forma de exercício procura diminuir o volume ou a intensidade durante a realização do exercício.Exemplo Metabólico: alteração na distância: correr 1 x 300, 1 x 250, 1 x 200, 1 x 150, 1 x 100, a 70% da velocidade máxima com pausa de 1,5 minutos.Exemplo Neuromuscular: alteração na intensidade do treinamento de força: 1 x 8 – 85% 1RM, com pausa de 1’; 1 x 10 – 80% 1 RM e 1 x 12 – 70% 1 RM.
-Método Intervalado Crescente / Decrescente – esta forma de exercício procura aumentar o volume ou a intensidade durante a realização do exercício.Exemplo Metabólico: alteração na distância: nadar 1 x 200, 1 x 300, 1 x 400, 1 x 300, 1 x 200, a 70% da velocidade máxima, com pausa de 2 minutos.Exemplo Neuromuscular: alteração na intensidade do treinamento de força: 1 x 15 – 70% 1RM, com pausa de 1’; 1 x 10 – 80% 1RM e 1 x 15 – 70% 1RM.
-Método Intervalado Decrescente / Crescente – essa forma de exercício procura diminuir e aumentar o volume ou a intensidade durante realização do exercício.Exemplo Metabólico: alteração na distância: nadar 1 x 400, 1 x 300, 1 x 200, 1 x 300 e 1 x 400, a 70% da velocidade máxima, com pausa de 2 minutos.Exemplo Neuromuscular: alteração na intensidade do treinamento de força: 1 x 8 – 85% 1RM, com pausa de 1’; 1 x 10 – 80% 1RM e 1 x 8 – 85% 1RM.
-Método Intervalado Variativo – esta forma de exercício procura alterar o volume ou a intensidade durante a realização do exercício.Exemplo metabólico: alteração na duração do estímulo: pedalar 1 x 30”, 1 x 2’, 1 x 1’, 1 x 1’30” e 1 x 1’, a uma velocidade de 30 Km/h e com pausa ativa de 2 minutos.Exemplo Neuromuscular: alteração na intensidade do treinamento de força: 1 x 8 – 85% 1RM, com pausa de 1’; 1 x 10 – 80% 1RM; 1 x 4 – 90% 1RM; e 1 x 15 – 60% 1RM.




Método em Circuito: O treinamento em circuito tem a finalidade de desenvolver a resistência cardiorrespiratória, assim como a resistência muscular localizada. Para desenvolver a capacidade aeróbia, a carga de treinamento deve ser ajustada de acordo com o comportamento da freqüência cardíaca (60-90% F.C. Max.).
Postado por Lydio de Souza às 18:11 0 comentários

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Velocidade no futebol


Além da velocidade dos movimentos, é essencial que o atleta tenha inteligência de jogo
Francisco Adolfo Ferreira
Treinamento de velocidade e força, controle do volume através da distância percorrida (GPS), controle da intensidade através da freqüência cardíaca (monitores de FC) e medição dos parâmetros bioquímicos do sangue como forma de prevenção/preservação da integridade física dos atletas (Ck)... Estas são as grandes ideias em voga no treinamento do futebol atual.

Uma questão, porém permanece: o que é a velocidade no futebol? Basta ter jogadores com grande velocidade cíclica como um velocista olímpico? Alguém se lembra de Ben Johnson? O canadense que, tempos após ter sido banido por doping em Seul 88, resolveu tentar a sorte como jogador de futebol. Não teve sucesso.

Assim como a música que diz: “É preciso saber viver!”, no futebol, é preciso, antes de qualquer coisa, saber jogar!

Fui testemunha ocular da grande fase do Alex no Cruzeiro, em 2003. A diretoria, a imprensa e a torcida não o queriam. Alguns, maldosamente, o chamavam de “Alexotan”.

Luxemburgo, então, resolveu bancá-lo e garantiu à diretoria que, com ele, Alex jogaria e muito!

Alex é o tipo de jogador que, devido a sua imensa inteligência e técnica, aliadas a uma privilegiada visão de jogo, consegue imprimir um ritmo de jogo muito veloz, embora não seja um velocista. Com um percentual de gordura corporal que nunca tivera antes, em torno de 8% a 9%, motivado pelo excelente elenco, pela estrutura do clube, pelo grande treinador e pela vontade de dar a volta por cima após os inúmeros problemas de sua transferência para o Parma, conseguimos fazer de Alex um atleta mais rápido, mais ágil, com possibilidade de alcançar maior altura e maior distância em saltos verticais e horizontais e, finalmente, com maior probabilidade de manter o fôlego até o fim das partidas. Tudo isso porque estava carregando um menor peso extra e inútil de gordura corporal.

Jogadores como Alex, não perdem tempo para dominar a bola dando um, dois, ou até três toques antes de dar sequência a uma jogada. Não raras vezes, com apenas um toque, ou até mesmo com um drible de corpo, um corta-luz, a bola chega aonde ele quer e o jogo flui. Tostão, o genial meia do Cruzeiro e da seleção de 1970, talvez o atleta de futebol mais inteligente que já tenha pisado nos gramados de futebol, era um verdadeiro mestre nessas esquivas. Daí dizer-se que ele jogava (também) sem a bola.

Considero que a velocidade de movimentos é importante, mas que é preciso saber jogar... Não resta a menor dúvida! E aí entra a velocidade de percepção, detecção, processamento, tomada de decisão e execução da resposta à situação-problema daquele instante do jogo. É a inteligência de jogo!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Futebol na Altitude


Confira tudo aqui:
O futebol de alto rendimento exige cada vez mais uma elevada performance de seus atletas. Desta forma, as adaptações fisiológicas dependem das características físicas individuais de cada um deles, e também, do ambiente em que é praticado a atividade das ações de jogo. As condições ambientais existentes ao nível do mar e na altitude se diferem de maneira significativa, afetando o rendimento físico do futebolista na partida e, em caso extremo, associado às anomalias ou disfunções cardíacas, podendo sugerir o risco de morte súbita.

AS DEMANDAS FÍSICAS DO FUTEBOL
O futebol caracteriza-se por atividades intermitentes e pela imprevisibilidade, através da alternância de esforços, pelas ações motoras diferenciadas e intensidades variáveis: andar, trotar e estar parado caracterizam ações predominantemente aeróbias, enquanto que a corrida rápida, em alta intensidade, em curtas distâncias (por exemplo, sprints de 5 metros, 10 metros e 15 metros), aceleração, mudança brusca de direção, desaceleração, movimentos representados pelos dribles, chutes, saltos, lançamentos, giros velozes, mudanças rápidas de ritmos e direções, deslocamentos cíclicos e acíclicos caracterizam ações predominantemente anaeróbias aláticas.

Distâncias maiores em alta intensidade, que ocasionam a depleção considerável da fosfocreatina ou creatinafosfato (PCr) caracterizam ações predominantemente anaeróbias láticas. Neste sentido o futebol é uma modalidade caracterizada pela alternância de curta e média duração e estímulos de alta intensidade.

Pesquisadores sugerem que, no futebol, aproximadamente 85% representam ações de predominância aeróbia e cerca de 15% representam ações de predominância anaeróbia, sendo a distância total percorrida pelo futebolista, em média, de 9 a 12 km por jogo, a produção de lactato sanguíneo varia de 8 a 12 mol/l e 2/3 do jogo indicam uma freqüência cardíaca do jogador próxima a 85% da freqüência cardíaca máxima, podendo haver alterações de jogo para jogo, levando-se em consideração os sistemas táticos empregados, categoria do campeonato disputado, especificidades das funções táticas de jogo, condições físicas e técnicas dos futebolistas, etc.

SUBSTRATOS ENERGÉTICOS NO FUTEBOL
Os substratos energéticos tem fundamental importância no papel de geração de energia para o futebolista: a) ácidos graxos, glicose e glicogênio sustentam as células mitocondriais para a produção de 38 ATP (Adenosina Trifosfato) pelo Sistema Aeróbio (dependente do oxigênio); b) fosfocreatina ou creatinafosfato abastece o ambiente citossólico para a produção de 1 ATP pelo Sistema ATP-CP, também denominado Anaeróbio Alático; c) glicose e glicogênio muscular alimentam o ambiente citossólico para a produção de 2 ou 3 ATP pelo Sistema Glicolítico ou Glicogenólise, também conhecido como Anaeróbio Lático, conseqüente aumento da concentração de Lactato e prótons de Hidrogênio intra-citossólico; d) proteínas favorecem a síntese protéica, a renovação celular e enzimática, contribui para a eficiência anabólica, não possuindo importância primária no processo metabólico da produção energética. As enzimas participam das cadeias bioquímicas no mecanismo de produção de energia (ATP).

AMBIENTE DA ALTITUDE
Na altitude o futebolista encontrará um ambiente em hipoxia, que significa disponibilidade diminuída do oxigênio em atingir os sangues dos pulmões, devido a pressão reduzida do oxigênio no ambiente da altitude (deficiência do oxigênio). A pressão barométrica diminui gradativamente à medida que o ambiente se torna cada vez mais elevado em relação ao nível do mar, de forma que o ar fique cada vez mais rarefeito e a pressão parcial do oxigênio cada vez mais reduzida. A quantidade de moléculas de oxigênio num determinado volume de ar é menor nas altitudes mais elevadas. Mais ar o futebolista deve inspirar para suprir a mesma quantidade de oxigênio numa respiração normal verificado ao nível do mar, para aportar um maior volume de ar na tentativa de suportar as demandas físicas do jogo.

TEMPERATURA E UMIDADE DO AR NA ALTITUDE
Não somente a pressão parcial de oxigênio é modificada no ambiente em altitude. A temperatura é reduzida numa taxa de aproximadamente 1° C para cada 150 metros de subida (elevação). As temperaturas baixas, o ar seco e os ventos da altitude promovem os distúrbios relacionados ao frio como a hipotermia e a desidratação (devido a baixa umidade do ar e à diurese nas primeiras horas de exposição ao ambiente, bem como ao aumento da radiação solar).

A exposição aguda ou crônica em ambientes de altitude e a prática simultânea de atividades físicas induzem os futebolistas ao acréscimo do estresse fisiológico e psíquico, devido às condições de hipotermia, hipohidratação, hipoglicemia, provocados pelas características do ambiente em hipoxia hipóxica a que estão associados.

A RESPIRAÇÃO NA ALTITUDE
O organismo humano depende da captação, do transporte e da utilização do oxigênio disponível no ambiente. A respiração (ventilação pulmonar) do futebolista é aumentada na altitude, tanto em repouso quanto durante o jogo (em esforço). Há um aumento na frequência respiratória, na qual elimina-se mais CO2 (dióxido de carbono) na troca gasosa, caracterizando uma situação de alcalose respiratória, um estado fisiológico onde há elevação do pH acima de 7,4 (alcalino), através de ajustes pela hiperventilação (centro respiratório bulbar), realizados pelos quimiorreceptores periféricos localizados nas artérias carótidas e no arco aórtico, responsáveis pelas respostas às diminuições de pressão de oxigênio arterial, pH arteriais e às respostas aos aumentos de pressão de dióxido de carbono arterial.

Durante cada respiração oxigênio e dióxido de carbono são trocados através da membrana alvéolo-capilar pulmonar. Quase todo o oxigênio levado para os tecidos está ligado à hemoglobina, apenas uma pequena quantidade está dissolvida e transportada no plasma.
Portanto, os futebolistas na altitude estão sujeitos à hipertensão arterial pulmonar associada à hipertrofia ventricular direita do coração, hipoventilação alveolar, capacidade de difusão pulmonar diminuída, taxa de perfusão-ventilação anormal e diminuição na quantidade total de oxigênio ligado à hemoglobina.

A COMPENSAÇÃO RENAL NA ALTITUDE
Os rins são os responsáveis pelas adaptações da excreção e da absorção pelos túbulos renais, na busca do reequilíbrio ácido-basico do corpo humano (pH fisiológico). Em ambiente de altitude a compensação renal consiste na diminuição da excreção de prótons de hidrogênio e na diminuição da reabsorção de bicarbonato (HCO3).

A adapatação renal a longo prazo em ambiente de altitude é a secreção aumentada do hormônio eritropoietina ou hemopoietina (uma glicoproteína provavelmente formada no aparelho justaglomerular ou na membrana glomerular renal), liberado no sangue circulante por um ou dois dias, estimulando a medula óssea a produzir eritrócitos (policitemia) e, conseqüentemente, provocando a elevação da concentração de hemoglobina no sangue. Pesquisadores destacam que novos glóbulos vermelhos somente começam a aparecer na circulação após 2 a 4 dias, atingindo a intensidade de produção máxima após o quinto dia ou mais. Nestas condições eleva-se a viscosidade do sangue, podendo acarretar efeito deletério, destacando-se o aumento da pressão arterial e da sobrecarga cardíaca do futebolista.

O CORAÇÃO NA ALTITUDE
A necessidade de suprir os tecidos de oxigênio e a necessidade de compensar a diminuição de fornecimento de oxigênio às células do corpo humano, pela diminuição de oxigênio ligado à hemoglobina, fazem com que haja uma maior resposta cardiovascular, através do aumento do débito cardíaco, ocorrendo a vasoconstrição pulmonar em resposta à hipoxia alveolar, aumentando-se a pressão arterial pulmonar. A hipertensão pulmonar, característica da altitude, eleva o trabalho realizado pelo coração, provocando a hipertrofia da câmara cardíaca ventricular direita, agravada pelo aumento da viscosidade do sangue (devido a policitemia), podendo provocar complicações cardíacas, alterações no eletrocardiograma e até o risco de morte súbita, considerando-se a existência de anomalia e disfunção cardíaca do futebolista.

O DESEMPENHO ATLÉTICO NA ALTITUDE
O desempenho atlético e a performance dos futebolistas decaem na altitude, comprometendo as respostas fisiológicas, provocando a redução da qualidade de resposta ao estímulo. Além da alcalose respiratória, muitos pesquisadores destacam um aumento na produção do lactato e prótons de hidrogênio, em resposta à deficiência de funcionamento do metabolismo aeróbio, bem como a acidose citossólica e a fadiga muscular. Nessas circunstâncias ocorrem disfunções mitocondriais no ciclo de Krebs e na cadeia de transporte de elétrons, atingindo-se o estresse oxidativo e a conseqüente redução da capacidade aeróbia máxima do futebolista, denominada de VO2max (Volume de oxigênio máximo), que consiste na captação, transporte e utilização do oxigênio pelo sistema aeróbio na produção de energia. Pesquisadores indicam uma redução representativa do VO2max de aproximadamente 3% a 3,5% para cada 300 metros de ascensão acima de 1.500 metros de altitude, ou ainda, 11% de redução do VO2max para cada aumento de 1.000 metros acima de 1.600 metros de altitude. Pesquisadores também direcionam para um resultado médio do VO2max de 60 ml/kg/min, para um futebolista profissional treinado ao nível do mar.

SINTOMAS DA ALTITUDE
Nas primeiras 24 horas da chegada a altitude o futebolista tem sua condição psicofísica piorada por causa das respostas adaptativas fisiológicas, como a desidratação e os distúrbios do sono. Queixa-se de cefaléia, fadiga, tonturas, palpitações, insônia, perda de apetite e náuseas (conhecida como doença aguda das montanhas), devido a hipoxemia e a alcalose respiratória. Outros sintomas são vômitos, dispnéia (dificuldade e desequilíbrio no padrão respiratório), além da tolerância reduzida ao exercício.

Além de problemas clínicos tais como complicações cardíacas, mesmo em repouso, outros sintomas muito graves (letais) como o edema pulmonar (acúmulo de líquido nos pulmões para altitudes acima de 2.700 metros), como o edema cerebral (acúmulo de líquido intracraniano para altitudes acima de 4.000 metros), além de confusão mental e coma.

Os efeitos da altitude sobre o organismo provocam: a) perda de peso corporal de até 3% em 8 dias (em uma elevação de 4.300 metros) ou de até 15% após um período de 3 meses em uma altitude de 5.300 metros a 8 mil metros; b) redução do apetite e consumo alimentar; c) aumento da taxa metabólica basal; d) consumo insuficiente de energia; e) depleção das reservas de glicogênio muscular.

ACLIMAÇÃO E ACLIMATAÇÃO NA ALTITUDE
A aclimação do futebolista é caracterizada pelas alterações e pelos ajustes fisiológicos que ocorrem imediatamente à exposição da altitude (a curto prazo), como a hiperventilação e como a maior resposta cardiovascular. Na aclimatação do futebolista, as alterações fisiológicas estão relacionadas com o tempo de adaptação à altitude, através de ajustes fisiológicos como as adaptações celulares, melhor equilíbrio ácido-básico, alterações hematológicas (produção de eritrócitos e hemoglobinas), alterações no peso e na composição corporal.

Muitos fisiologistas recomendam uma aclimatação na altitude de 4 a 6 semanas. O período de aclimatação depende da altitude em que o futebolista estará exposto. Pesquisadores sugerem, por exemplo, a 2.700 metros cerca de 7 a 10 dias; 3.600 metros cerca de 15 a 21 dias; a 4.600 metros cerca de 21 a 25 dias.

SUPLEMENTAÇÃO ALIMENTAR NA ALTITUDE
Devido ao estresse oxidativo provocado pelo sistema aeróbio, a suplementação de vitaminas como função antioxidante poderia ser sugerida na altitude, para a minimização da queda do desempenho psico-físico associada com o dano provocado pelos radicais livres.
As vitaminas são necessárias para a formação e fator de maturação dos glóbulos vermelhos. A vitamina B12, por exemplo é um nutriente essencial para todas as células do corpo no aspecto crescimento e maturação. Sua falta representa uma maturação nuclear incompleta. Segundo pesquisadores, a quantidade de vitamina B12 diária necessária para manter a maturação normal dos glóbulos vermelhos é de menos de 1 micrograma, enquanto que no fígado existe armazenado quantidade mil vezes maior.
O ácido fólico também faz parte do complexo vitamínico B, importante para o mecanismo de controle do funcionamento celular.
O ferro é absolutamente necessário para a formação da hemoglobina, da mioglobina e de outras essenciais à função corporal. O excesso de ferro é depositado principalmente nas células hepáticas (cerca de 60% do excesso), na forma de ferritina (ferro de depósito), para suprir as deficiências dos tecidos do corpo quando necessárias.

Acredita-se que uma suplementação com ferro poderia ser benéfica para o futebolista com deficiência deste nutriente, principalmente pelo fato da elevação da secreção de eritropoietina pelos rins agirem no aumento da concentração de eritrócitos e de hemoglobina do sangue em ambiente de altitude.

Alguns pesquisadores observam que a produção simultânea de radicais livres pode ser aumentada por ferro livre em excesso.
Uma direta rica em carboidrato poderia ser muito útil ao futebolista, não somente como valor nutricional, mas também como fonte para a formação de glicose sanguínea (regulação glicêmica) e de glicogênio muscular, substratos essenciais para o metabolismo na produção de energia. Pesquisadores demonstraram que o consumo de carboidrato melhora a oxigenação sanguínea na altitude, através do aumento da tensão de oxigênio e da saturação de oxihemoglobina no sangue arterial.

As necessidades energéticas necessárias ao atleta não habituado à altitude podem não ser alcançadas em virtude da redução do apetite e da redução do consumo alimentar, também, pela elevação do metabolismo basal, oscilando entre 3.800 kcal/dia até 6 mil kcal/dia, dependendo da especificidade da modalidade esportiva; sexo, idade, características genéticas e fisiológicas do indivíduo, condições do ambiente.
Poucos estudos (ou quase nenhum) elencam com clareza, detalhe e exatidão uma recomendação suplementar na altitude.

HIDRATAÇÃO NA ALTITUDE
A baixa umidade do ar, a diurese aumentada nas primeiras horas de exposição e o aumento da ventilação pulmonar elevam o risco de desidratação do futebolista na altitude. Pesquisadores recomendam o consumo de 3 a 5 litros diários como forma para hidratar o futebolista. Para monitorar a condição de hidratação do atleta é sugerido verificar a cor de sua urina: cor amarelo-pálido pode representar um organismo hidratado; cor escura e concentrada pode indicar desidratação.
A adição de carboidratos nos líquidos pode promover a melhora da palatabilidade, podendo sugerir uma minimização na falta do apetite.

REPOSIÇÃO DE OXIGÊNIO NA ALTITUDE
Visando a busca da minimização dos efeitos maléficos e desconfortos imediatos da altitude, provocados pela diminuição da pressão de oxigênio, pesquisadores e fisiologistas sugerem a oxigenoterapia, através da utilização de aparelhos de oxigênio portáteis (garrafas ou cilindros com máscaras) que, dependendo da altitude, poderá ser utilizado durante a subida ao ambiente em hipoxia.

CONTRIBUIÇÃO DOS TESTES FÍSICOS DIRETOS
Os testes físicos diretos representam ferramentas utilíssimas para os fisiologistas mensurarem e avaliarem as capacidades aeróbias dos futebolistas, em especial o teste do VO2max (volume máximo de oxigênio), cujas interpretações poderão sugerir quais futebolistas deverão sentir em menor amplitude os efeitos deletérios da altitude. Uma maior capacidade aeróbia indica melhor eficiência na captação, transporte e utilização do oxigênio, no trabalho mitocondrial do ciclo de Krebs e cadeia de transportes de elétrons, para a produção de energia. Futebolistas não habituados à altitude que apresentam maior capacidade aeróbia e que alcançam seus limiares anaeróbios L¹ L² (intervalos ventilatórios) mais tardiamente (características fisiológicas de melhor resistência aeróbia e anaeróbia) sugerem ser os mais indicados a atuarem numa competição em ambiente de hipoxia.

Fisiologistas orientam para prévios treinamentos aeróbios ao nível do mar, por várias semanas, no sentido de melhorar a capacidade aeróbia dos futebolistas não habituados a altitude, bem como um período de aclimatação adequada em altitude intermediária com relação ao ambiente em que a competição será realizada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A exposição aguda ou crônica a ambientes em hipoxia parecem induzir futebolistas não habituados a altitude, de maneira significativa, à níveis elevados de estresse e de ajustes adaptativos fisiológicos, proporcionando um grande declínio na performance esportiva, considerando-se que suas respostas são diferenciadas, individuais e específicas, por vários fatores: características individuais atléticas e psicofísicas, características genéticas e fisiológicas, características nutricionais, características ambientais e climáticas, situações do campo de jogo, sistemas táticos empregados, forma de economia equilibrada de energia durante a partida, formas de treinamento e de recuperação, organização, planejamento e ajustes equilibrados da periodização anual dos futebolistas (macrociclo; mesociclo e microciclo), etc.
Nestas condições os pesquisadores destacam ainda os riscos aumentados à saúde, sugerindo as possíveis complicações cardíacas, até o risco de morte súbita na existência de anomalia e disfunção cardíaca do futebolista.
Que as autoridades do futebol possam tratar o assunto de forma relevante, de primeira ordem, na busca de uma consciência desportiva para a preservação da saúde do futebolista não habituado a altitude.

REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS
(1) BUSS, C.; OLIVEIRA. A.R. de. Nutrição para os praticantes de exercícios em grandes altitudes. Rv. Nutr. Campinas, 19(1): 77-83, jan/fev., 2006.

(2) COSTANZO, L.S. Fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

(3) DECHICHI, C. Futebol na altitude: quem asume o risco? Site Futebol Interior. www.futebolinterior.com.br, 18/03/2008.

(4) DECHICHI, C. Recuperação de atletas do futebol de alto rendimento em esforços intermitentes: aspectos fisiológicos e bioquímicos. Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, 2004.

(5) DECHICHI, C. Características físicas em atletas do futebol de alto rendimento segundo a posição tática de jogo. Faculdade de Educação Física - Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 2003.

(6) FARIA, A.P.de; DEHN, A.L.; FILHO, E.L.; ASSIS.G.M de.; PINTO, P.R.B.; SALVI, R.C. Treinamento na altitude. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP,v.5, n.6, jan/jun. 2005.

(7) FOSS, M.L.; KETEYIAN, S.J. Bases fisiológicas do exercício e do esporte. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

(8) GUYTON, A.C. Fisiologia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

(9) MAGALHÃES, J.; DUARTE, J.; ASCENSÃO, A.; OLIVEIRA, J.; SOARES, J. O desafio da altitude: uma perspectiva fisiológica. Rv. Portuguesa de Ciências do Desporto, vol. 2, n. 4: 81-91. 2002.

(10) MAUGHAN, R.; GLEESON, M.; GRENHAFF, P.L. Bioquímica do exercício e do treinamento. São Paulo: Manole, 2000.

(11) SINGI, G. Fisiologia dinâmica. São Paulo: Atheneu, 2007.

(12) WILMORE, J.H.; COSTILL, D.L. Fisiologia do esporte e do exercício. São Paulo: Manole, 2001.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

PLIOMETRIA: EXERCÍCIOS COM MEDICINEBOL

PLIOMETRIA: EXERCÍCIOS COM MEDICINEBOL

por João Coutinho

As bolas medicinais são uma importante ferramenta para o treinamento da potência no esporte. Podem ser utilizadas tanto para o treinamento da força como no treinamento pliométrico. Na verdade, o treinamento pliométrico dos membros superiooes fica limitado sem a sua utilização. Existe hoje no mercado bolas medicinais totalmente de borracha que quicam no solo e podem ser arremesadas contra a parede, com seu peso variando de 1kg até 5kg. Essas bolas são muito versáteis e possibilitam uma série de exercícios pliométricos, pois aproveitando o „rebote„ da bola é possível utilizar o ciclo alongamento–encurtamento (CAE) .

Ao contrário dos exercícios de força, sendo o método de „musculação„ o mais conhecido e difundido no meio esportivo e social, o treinamento para o aumento da potência é o objetivo para a maioria das modalidades esportivas. Para isso é necessário que o exercício exija elevada velocidade de contração muscular e a aplicação de grande quantidade de força num curto período de tempo – conhecidos como exercícios balísticos (por exemplo: saltos, laçamentos e rebotes)

Os exercícios com bolas medicinais permite aos treinadores e preparadores físicos executar exercícios que praticamente imitam o gesto esportivo (princípio da especificidade). Pegando o tênis, que é minha especialidade como exemplo, executar movimentos de forehand e backhand com „pesos de musculação„ é muito limitado. Além do movimento ser executado com menor velocidade, pois o atleta deve desacelerar o movimento para não lançar o peso, não é possível utilizar o CAE, pois para o tenista não existe uma ação de „rebote„ (lançar => receber => lançar imediatamente) do peso, o que acontece quando você lança a bola medicinal na parede ou para outra pessoa. Claro que isto é apenas um exemplo, muito modalidades já se valem do benefícios do treinamento com bolas medicinais, como: atletismo, basquete, handebol, basebol e volei só para citar alguns.

Utilizando o medicinebol (MB) no treinamento

As bolas medicinais tem seu lugar no treinamento esportivo incorporadas dentro do plano de treinamento de força do atleta. Não se deve substituir de nenhuma forma todos os exercícios de força por exercícios apenas de bola medicinal, pelo contrário, as bolas devem ser utilizadas como exercícios específicos aos gestos das modalidades, cobrindo assim a „lacuna„ dos exercícios tradicionais de força. Talvez o melhor período para sua utilização seja após a formação da base da força (período preparatório geral) como meio de treinar potência. A ideia é que quanto mais força seu atleta consegue produzir, mais ele consegue converter em potência específica da modalidade.

Recomendações gerais antes de comeÇar

•Façar um bom aquecimento com alongamentos dinâmicos antes de começar.
•O exercícios devem ser treinados de forma geral no início da sessão de treinamento, antes do treino anaeróbico/aeróbico mais intenso do dia, num estado ausente de fadiga.
•Concentrar na velocidade de execução do movimento sem sacrificar a técnica .
•Não utilize bolas muitos pesadas que diminuam a velocidade de execução do exercício.
Cito agora alguns exemplos de exercícios com bolas medicinais que acho de grande utilidade para o treinamento de atletas de diversas modalidades:

lançamento acima da cabeça:



1. posição inicial: começe de frente para uma parede, com os pes paralelos segurando o MB com ambas as mão acima da cabeça.
2. arremesse o MB na parede, executando o movimento para trás e para frente rapidamente e com toda força.



lançamento lateral na parede



1. posição inicial: fique de lado para a parece, posicionando a perna contrária do lançamento a frente. Procure ficar próximo da parede, algo como 1m de distância.
2. faça uma torção do tronco rapidamente e lançe o MB com toda a força na parede. Lance o MB simultaneamente com ambas as mãos.
3. pegue o "rebote" da bola na parede e execute uma nova repetição de forma contínua, usando assim a força da bola pra forçar a ação excêntrica do tronco.



lançamento no chão



1. posição inicial: de pé, pés paralelos segurando o MB com ambas as mãos e joelhos um semi–flexionados
2. leve o MB para trás da cabeça e arremesse a bola com toda força no chão, a frente do corpo.
3. pegue o "rebote" da bola e imediatamente execute uma nova repetição




agachar e lançar



1. posição inicial: de pé, pés paralelos segurando o MB com os braços abaixados
2. faça o movimento de agachamento, colocando o MB no meio das pernas
3. execute um salto explosivo finalizando o movimento lançando o MB o mais alto possível



rotação quadril (oblíquos)



1. posição inicial: deitado no chão, com as pernas levantadas e o joelhos flexionados
2. prenda o MB no meio das pernas
3. mantendo essa posição, faça um giro das pernas de um lado para o outro. Evite levantar o quadril no momento do giro.



leituras::
Chu, D. Jump into plyometrics. Human Kinetics, Champaign, IL (1992)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O treinamento do core para o alto rendimento


O treinamento do core para o alto rendimento
Utilizado na Grécia Antiga, o treinamento funcional ressalta a importância da especificidade e da funcionalidade nos esportes
Rafael Martins Cotta
Atualmente, a questão do treinamento não está apenas ligada aos âmbitos técnico, tático, físico, de força, velocidade e flexibilidade, e sim, à especificidade e funcionalidade das modalidades e gestos a se realizarem na competição.

A falta de especificidade nos treinamentos pode atrapalhar a evolução do atleta de acordo com a modalidade, ou seja, treinos que diferem os exercícios do desporto ocupam o tempo de preparação com itens menos eficientes. O termo funcional, muito usado nos dias de hoje, refere-se à função que o exercício tem com a musculatura e os movimentos envolvidos na atividade principal, e que este treinamento seja planificado cada vez mais, buscando suprir essas funções específicas da modalidade.

Porém, o treinamento funcional não é uma novidade, pois a funcionalidade do ser humano já foi uma questão de sobrevivência, como nos 12 trabalhos de Hércules, nos jogos olímpicos da Grécia Antiga, e em Roma Antiga entre os gladiadores, onde eram criados meios e métodos de treino específicos para superação de seus resultados.

Em outras palavras, “core” significa núcleo, ou seja, um tipo de treinamento que trabalhe a região central do corpo, o ponto de equilíbrio, considerando que um centro de gravidade bem fortalecido poderá melhorar o rendimento das atividades funcionais do corpo em relação às atividades desportivas e/ou cotidianas.

Existem diversas nomenclaturas para a mesma técnica, porém, todos se referem a uma descrição genérica do controle muscular abdômino-lombopélvico necessário para estabilizar a coluna lombar e proporcionar estabilidade funcional de todos os segmentos corpóreos. O trabalho visa estabilizar 29 músculos de forma coordenada, sendo neste grupo onde se iniciam movimentos que se realizam tanto com os membros inferiores quanto com os superiores. O conjunto destes músculos pode ser dividido em dois grupos:

1) Músculos superficiais ao redor da região lombar e abdominal (reto-abdominal, para-vertebrais e oblíquos externos), possuindo em sua maioria fibras de contração rápida e um grande braço de alavanca, podendo desenvolver um grande torque auxiliando na aceleração e desaceleração do tronco;

2) Músculos profundos e intrínsecos responsáveis pelo ajuste postural nos movimentos (transverso do abdômen e multifídeo).

Arranques, acelerações, giros, podem ser mais eficientes com um core mais fortalecido e o melhor deste trabalho está em prevenir lesões advindas do centro corporal muitas vezes enfraquecido. Um treino que englobe esses dois grupos torna o trabalho mais eficaz, relacionando rendimento com prevenção.

Desportos como o futebol, por possuírem um grupo extenso de jogadores, deixam os atletas expostos ao sofrimento de lesões pela alta intensidade das ações, volume, contato físico, etc. Torna-se difícil para a comissão técnica poder contar com todos os atletas para as partidas, sendo que muitas vezes erroneamente os preparadores físicos são culpados pelas lesões dos jogadores. Atletas treinam em altos volumes e intensidades, e competem em altos picos de carga, sendo que, como já descrito anteriormente, os mesmos estão sujeitos a se lesionarem. O trabalho que pode ser realizado é o preventivo. Mesmo assim, está-se longe de afirmar que acabaremos com as lesões, e sim se minimizarão as suas ocorrências.

Muitas vezes, essas lesões aparecem por regiões enfraquecidas, principalmente na parte central, em musculaturas auxiliares, onde o trabalho de força realizado não causa adaptações.

Por conta dessa região ser o ponto de equilíbrio corporal, o trabalho a se realizar relaciona-se à capacidade física de coordenação, treinando o equilíbrio com consequente obtenção de um movimento mais estável e com maior funcionalidade, enfatizando a região do core com trabalhos próximos ao gesto desportivo. O treinamento isométrico destas regiões compensará a falta de equilíbrio e, quando exigida, poderá, provavelmente, evitar uma lesão.

Entende-se por transferência a relação do treinamento com o gesto técnico e motor específico da modalidade, em que, quanto mais específico for o exercício, maior será a transferência para o gesto e, consequentemente, maior rendimento desportivo.

O treinamento do core requer certo nível de conhecimento e especialização dos profissionais que trabalham com ele, sabendo seguir os programas, os volumes, as fases, as intensidades, e outros itens necessários para aplicação deste tipo de atividade. Uma aplicação adequada pode trazer resultados importantes num macrociclo, tanto no rendimento atlético quanto na prevenção das lesões.

Apesar da atual popularidade do core, poucos estudos têm sido feitos para demonstrar o benefício para atletas saudáveis.

Bibliografia:

Fredericson M; Moore T. Core stabilization training for middle-and long-distance runners. New Studies in Athletics. 2005; 20:1; 25-37.
www.wikipedia.com.br: acesso em 19/10/2009.

Richardson C; Jull G; Hodges P; Hides J. Therapeutic exercise for spinal segmental stabilization in low back pain: scientific basis and clinical approach Edinburgh (NY): Churchill Livingstone: 1999.

Akuthota V, Nadler S F. Core Strengthening. Arch Phys Med Rehabil. 2004; 85(3 Suppl 1): S86-92.

Leetun D T; Ireland ML; Willson JD; et al. Core stability measures as risk factors for lower extremity injury in athletes. Med Sci Sport Ex. 2004; 926-934.

Marshall PW; Murphy BA. Core stability exercises on and off a Swiss ball. Arch Phys Med Rehabil. 2005; 86; 242-9

J. Strength Cond. Res. 2007 Aug; 21(3):979-85.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Antônio Mello destaca treinos físicos na caixa de areia


Antônio Mello destaca treinos físicos na caixa de areia
Com um jogo por semana, os times têm tempo aperfeiçoarem as partes físicas, técnicas e táticas durante os treinamentos. A manhã desta quarta-feira (27) da equipe do Santos Futebol Clube foi reservada para um intenso treinamento físico.

O preparador-físico do Peixe, Antônio Mello, pôde colocar em prática um dos seus métodos preferidos: a caixa de areia. “O trabalho visa um aumento da potência muscular. Isso acontece nos jogos, durante um arranque, na retomada de uma posição e quando vão dividir uma bola. O trabalho fica evidente”, explica Mello.

Com a experiência de quem aplica esse treinamento por onde passa, o preparador ressalta que o trabalho na areia não é tão simples como parece. “Trabalhar na areia é uma ciência. Não adianta você trabalhar uma hora e achar que vai ter resultado. O trabalho é de curta duração e muita intensidade. Tem que ter muito trabalho, porque se você errar na mão o resultado acaba sendo o contrário do esperado”, disse, lembrando que o índice de lesão no Peixe é de quase zero.

Além do treinamento na caixa de areia, Mello e seu auxiliar, Marco Antônio Alejandro Gomes, elaboraram uma programação voltada para fortalecer fisicamente os atletas. O elenco também deu piques nos gramados do CT Rei Pelé.

Mello disse que os resultados obtidos nas últimas semanas o surpreenderam. O desempenho do volante Maldonado, que está recuperado de uma lesão na coxa esquerda, também foi destacado pelo preparador. “Foi a nossa terceira semana grande consecutiva (sem jogos) e pudemos elaborar um programa de treinamentos para fortalecer os atletas, dar uma condição física melhor para o resto da temporada. O avanço foi tão grande que me surpreendeu, inclusive com a volta do Maldonado, que realizou todos os exercícios”.